Edição 22, Gestão

Equilíbrio e disciplina

|| Irene Barella
Dia internacional da mulher:
muitos desafios e conquistas

Cristina, Daniela, Monica, Tamy, Vanessa, Anas, Antonias e Marias. São muitas as mulheres que fazem a diferença em seus ambientes e que somam hoje no País 4,5 milhões mais do que homens, de acordo com a revisão 2018 da projeção da população feita pelo Ibge. E em 2060 serão 6,3 milhões. O fato é que não deveria ocorrer discriminações, mas conforme o próprio instituto, há discrepâncias entre gêneros no mercado de trabalho – sem tocar em violência e machismo. Mesmo se mais escolarizadas, elas têm maior dificuldade de serem contratadas.
Já o Fórum Econômico Mundial, WEF, aponta que o Brasil está na 95ª posição em desigualdade de gênero, pior nível desde 2011. No setor de tecnologia, TIC, só 20% dos postos são ocupados por mulheres e ganham 30% a menos que seus pares masculinos. Isso se agrava em nichos de inovações, como Inteligência Artificial. “É preciso que meninas conheçam tecnologia e possam optar, sem direcionamentos, entre exatas e humanas”, defende Monica Herrero, CEO da Stefanini Brasil.
Na contramão e abrindo espaço em uma área predominantemente masculina como é TIC, mulheres que ocupam o cargo executivo mais alto em empresas do setor dizem, quase em uníssono, que a competência é o ingrediente primordial para ocupar e permanecer no comando. “Em determinadas atividades a mulher tem que provar o seu valor duas vezes, como profissional e como pessoa, para ter o nome reconhecido”, diz Vanessa Tiba, country manager da Altitude Software, reconhecendo que a situação já melhorou muito. Mas isso nunca foi um problema para nenhuma delas; somente fortaleceu a trajetória.
Capacidade não está em questão, mas sim conciliar as responsabilidades corporativas e as de casa, mesmo para as CEOs. O desafio é maior para a maioria, com salários mais baixos. Neste caso, a solução para a desigualdade no mercado de trabalho passa por política pública, com a criação de creches e escolas em tempo integral, para que mães – e pais – possam permanecer nos empregos e ter tranquilidade para exercer suas funções.

Mesmo com possibilidade financeira para manter uma excelente logística e com apoio da família, do pai dos seus filhos ou do companheiro, as CEOs também fazem malabarismos para não deixar nenhum prato cair.
Presidente da LG lugar de gente, Daniela Mendonça diz que a dupla jornada exige muita disciplina e tem que saber priorizar situações e momentos. “Hoje superei dilemas e consegui equilibrar as duas questões que são fundamentais na vida”.
Na gestão do negócio, todas afirmam que a condição e o tratamento entre funcionários é uma só. Ao contratar, orientam para que a escolha seja por competência, capacidade e comprometimento. Tamy Lin, CEO e fundadora da moObie, soluções de mobilidade urbana, contratou uma head de operações, grávida. “Teria que sair de licença logo depois, mas trazia competência e isso é natural, quando há foco nas relações humanas”, destaca.
O papel de todo líder – homem ou mulher – é fomentar a cultura do respeito à diversidade. “Ter objetivos claros, resiliência, trabalho com energia e desenvolvimento constante das pessoas são essenciais para, não somente fazer uma boa gestão, mas deixar um legado”, afirma Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil.

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