Edição 30, Gestão

Jornada – bem guiada – para a nuvem

A adoção da cloud computing e a consequente migração de dados assustam a muitas empresas, que desejam saber quando atingirão seus objetivos de negócios. Ao ajudar o cliente, desde a definição da arquitetura até a gestão de todo o ambiente, inúmeras oportunidades se abrem para os integradores

Por Ana Luiza Mahlmeister

A migração de sistemas para a nuvem está em alta em todos os segmentos de mercado, inclusive entre os mais resistentes, os bancos, que também se renderam às vantagens da tecnologia. Integradores e prestadores de serviços têm se beneficiado dessa onda que não para de crescer. A computação em nuvem promete reduzir e otimizar custos de processamento: as empresas não mais precisam se preocupar com a aquisição de hardware, manutenção e atualização de sistemas. Nesse processo de migração, a oferta de serviços gerenciados é uma grande oportunidade para o canal de distribuição. Como as empresas estão com equipes cada vez mais enxutas, os prestadores de serviços ganham espaço ajudando o cliente nessa jornada.

Em uma analogia da migração para a nuvem e a escalada do Monte Everest, os integradores são os ‘sherpas’, pessoas altamente especializadas no processo, que sabem das mudanças que seu corpo precisa passar para se adequar ao novo ambiente, vão se encarregar do trabalho pesado, conhecem os percalços do caminho, e o mais importante, são capazes de trazê-lo de volta em segurança. “É exatamente essa a tarefa dos integradores durante a jornada do cliente para a nuvem”, aponta Italo Cocentino, master principal technical consultant da Hitachi Vantara.

Segurança e interoperabilidade devem estar sempre no radar: a capacidade de fazer com que os ambientes com tecnologias tradicionais se comuniquem com a nuvem é um grande desafio. “É um ecossistema de múltiplos provedores, portanto é necessário que o canal tenha experiência e comprove entregas nos principais players”, afirma Cocentino.

Escolha a dedo

Para formar um profissional experiente em diferentes ambientes – AWS, Microsoft, Oracle, SAP – pode levar meses e na maioria das vezes, o cliente não pode esperar tanto. “É preciso escolher um parceiro que, além de ajudar na capacitação dos profissionais, trabalhe lado a lado para que o projeto seja desenvolvido da melhor maneira, reduzindo drasticamente o prazo de migração e dando mais segurança ao processo”, recomenda Maurício Fernandes, presidente da Dedalus.

Ter no portfólio a oferta de serviços gerenciados indica que o parceiro não somente ajuda na jornada para a nuvem como pode suportar os desafios de gerenciamento do dia a dia. “Além de segurança e interoperabilidade, deve cuidar do custo, disciplina que demanda uma atenção constante nos serviços consumidos e novas ofertas”, explica Cocentino, da Hitachi Vantara. Seus canais são responsáveis pela ‘última milha’, alinhando as capacidades de serviços da Hitachi com os desafios de negócio dos clientes. “Com anos de experiência, eles são capacitados a oferecer consultoria, trazendo a tranquilidade necessária para este tipo de serviço”, destaca. Para que possam desempenhar esta tarefa com sucesso, os canais são submetidos a um programa de capacitação em soluções Hitachi para ambientes de nuvem pública e privada.

Além do conhecimento das respectivas linhas de negócios dos clientes é importante que os parceiros tenham experiência na entrega de ofertas como Infrastructure as a Service- IaaS, Platform as a Service – PaaS, Storage as a Service – StaaS, Backup as a Service- BaaS e tecnologias tradicionais para que possam elaborar propostas para cada um desses nichos.

Primeiros passos

Entre os obstáculos à adoção da nuvem está o desalinhamento entre o departamento de TI e a alta diretoria, pois é comum que uma área esteja mais aberta ao novo modelo que a outra. “Nestes casos, é necessário começar aos poucos, com apresentação de resultados, para que os incrédulos a respeito da economia gerada possam perceber o potencial”, aponta Max Camargo, diretor de vendas da Solo Network integradora de empresas como Microsoft, Dell, HP e Lenovo.

O passo inicial para a nuvem geralmente começa com a migração de aplicações de backup e mensageria, e gradativamente vai transportando outros sistemas. “Enquanto o primeiro tem um ciclo de migração muito rápido, o segundo tem potencial de gerar grande economia para a empresa, sem falar no aumento de estabilidade e capacidade de escalabilidade, abrindo portas para que novos projetos sejam avaliados”, completa Camargo.

A confiança no parceiro é uma característica chave do processo. Critérios como certificações e competências do fabricante, qualidade da equipe técnica e casos de sucesso já realizados no mercado devem ser considerados nessa análise. “Outro ponto importante é que este integrador tenha atendimento 24×7 e ferramentas para fazer a gestão do ambiente migrado”, afirma Camargo. É comum encontrar ambientes complexos, envolvendo vários fabricantes e tecnologias e, portanto, outra característica importante é ter capacidade de coordenar um projeto com outras empresas, cada uma especialista em sua área.

A integradora Sky.One começa o trabalho fazendo um levantamento dos processos, segurança, aplicações, operações e infraestrutura do cliente. “Essa análise gera uma diretriz de arquitetura referencial que projeta a nuvem de acordo com seu perfil”, explica Lauro de Lauro, diretor de serviços da Sky.One que representa empresas como a AWS, Google, Microsoft Azure e Oracle Cloud.

Entre os critérios para a escolha de um integrador está a quantidade de profissionais certificados, experiência em migrações similares, nível de integração com o fornecedor da nuvem e sua capacidade de oferta de serviços complementares como manutenção do ambiente e segurança.

Na opinião de Fernandes, da Dedalus, a migração para a nuvem deve criar um ambiente funcionalmente similar ao convencional que, em geral, é chamado de on-premise. Com a criação desse ambiente os dados são migrados e os usuários são redirecionados para esse novo ecossistema. “Se o ambiente, além de funcionalmente similar, tem uma arquitetura semelhante – por exemplo com quatro servidores on-premise e quatro em cloud com a mesma configuração do original, chamamos essa migração de lift and shift”, explica.

Essa modalidade tem a desvantagem de ser a solução com consumo mais caro por não se beneficiar de um ambiente mais enxuto. “Mesmo assim, esta é a estratégia mais aplicada por nós hoje, pois os benefícios são o baixo custo, curto prazo e eficácia da migração”, conta Fernandes. Esse ambiente passa, em seguida, a ser otimizado com base no perfil de uso e recebe melhorias que tragam mais robustez, capacidade de expansão e melhor custo.

Gestão da nuvem

Outra demanda do cliente é a gestão da nuvem, pois essa tarefa é secundária para as empresas. Isso libera os profissionais internos para o uso da tecnologia na transformação do negócio. 

Especializada na implementação da nuvem da AWS, a Dedalus acompanha esse fornecedor há quase dez anos o que lhes dá vantagem competitiva. “Com isso, tivemos a oportunidade, não somente de influenciar no plano de parcerias da empresa, mas também de investir nas capacitações necessárias”, explica. Cenário similar aconteceu com a parceria entre a Dedalus e a Microsoft Cloud. “Hoje temos dezenas de profissionais certificados e um grande time especializado em AWS e Azure”, aponta. 

A responsabilidade da AWS e da Microsoft é manter o ambiente no ar e oferecer suporte de terceiro nível de atendimento. A Dedalus se encarrega do monitoramento, administração, suporte, análise de segurança, custos, performance e backup. De acordo com o executivo, tipicamente, menos de 5% do total de incidentes é escalado para o provedor, já que boa parte dos desafios de gestão é externa à estrutura da nuvem em si.

O integrador de nuvem tem papel fundamental nas fases iniciais da definição do projeto, quando o cliente está definindo sua estratégia e planejamento. “Desta forma os riscos de investimentos são mitigados e é possível até ‘repatriar’ aplicações que não deram certo devido a planejamentos inadequados”, afirma Ricardo Emmerich, diretor de pré-vendas da HPE. Adicionalmente, o integrador deve oferecer um completo portfólio chamado de Migration Targets, ou objetivos da migração, oferecendo opções de ambientes híbridos. Para ser parceiro da HPE é necessário conhecer a indústria com a qual vai trabalhar, ter capacidade consultiva e orientada a resultados. “Além disso, o canal precisa entender profundamente como pode acelerar os resultados desses clientes, a partir da exploração de todo o potencial do portfólio da companhia e suas alianças globais, por meio da estratégia HPE Super 6 – na qual oferecemos capacitação e treinamento no conceito ‘Right Mix of Hybrid Cloud’”, detalha Emmerich.

Pontos de atenção

Paulo Silveira, sócio e consultor da TGT Consult, alerta sobre os cuidados que o cliente deve ter na hora de escolher fornecedores de nuvem, pois contratos de prazos fixos possuem custos mais baixos, mas não permitem que se reduza o tamanho dos servidores ou que se desliguem esses equipamentos durante períodos em que não são utilizados. “Por outro lado, os contratos do tipo pay-per-use, apesar de nominalmente mais caros, permitem essa flexibilidade que, no fim do dia, significa custos mais baixos”, aponta.

O cliente também deve considerar como será efetuada a cobrança pelos serviços e como essa fatura será paga, se em reais ou em dólares. “Muitas empresas contratam ‘brokers’ que cuidam do pagamento em dólares para o fornecedor de serviços em nuvem e cobram do cliente em reais”, diz Silveira.

Um ponto importante é qual arquitetura será adotada, incluindo aspectos como quantidade e tamanho dos servidores, segurança, comunicação e rede, backup, recuperação de desastres, bancos de dados, que serviços são prestados pelo fornecedor e o que ficará a cargo dos parceiros.

Integradores investem em capacitação

A IDC projeta que o mercado de nuvem pública no Brasil chegará a US$ 2,3 bilhões em 2019 e vai crescer a uma taxa de 35,5% ao ano até atingir US$ 5,8 bilhões em 2022. Das empresas que estão migrando para a nuvem, 49% já contratam serviços de nuvem pública como multicloud, ou seja, sistemas de vários fornecedores com camada de gestão e um processo de movimentação entre as nuvens.

Para o Gartner, empresas que não utilizam computação em nuvem serão tão raras quanto as que hoje não usam internet. Segundo a consultoria, as estratégias de ‘cloud first’ e ‘cloud-only’, nas quais as empresas priorizam projetos de migração ou que já nascem com todos os sistemas em nuvem, vêm substituindo a postura defensiva que dominou muitos dos grandes provedores nos últimos anos de não adotar a tecnologia.

Os integradores têm investido em certificações para estarem à altura da demanda de serviços. Os parceiros da Hitachi Vantara, por exemplo, aderem aos padrões de segurança prescritos no Secure Cloud Computing Architecture – SCCA e no Center for Internet Security – CIS.

A Dedalus tem profissionais especializados DevOps, FinOps, redes, segurança, continuidade de negócios, performance, automação e arquitetura. “Todas essas qualificações são parte dos pré-requisitos para os títulos que temos de Managed Services Provider AWS e Azure Expert MSP (Microsoft)”, explica o presidente, Maurício Fernandes.

Os fornecedores de nuvem certificam os parceiros por meio de categorias como a AWS Premier Consulting Partner, Google Cloud Platform Premier Partners e Microsoft Gold Cloud Platform. “É um termo de acreditação que funciona como um cartão de visitas no cliente”, afirma Paulo Silveira, sócio e consultor da TGT Consult.

Outra classificação importante é a SAP Gold Partner. A AWS é SAP-Certified Global Technology Partner e muitos parceiros SAP são parceiros Microsoft, o que aumenta a chance de migrarem o SAP S/4HANA para o Azure. Muitos provedores especializados em SAP oferecem também serviços gerenciados nos ambientes Azure, AWS e Google Cloud.

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