Edição 31, Tecnologia

Aprimoramento do storage

Mercado se reinventa ao mirar na Transformação Digital direcionada pelas tecnologias de Software Defined, All Flash e Hiperconvergência, além da continuidade do Big Bang de dados. Isso abre perspectivas para o canal trabalhar até mesmo com clientes do perfil de pequenas e médias empresas

Por Marcus Ribeiro

É certo que o primeiro semestre de 2019 não apresentou números interessantes no que diz respeito à infraestrutura de TI, como pontuou a IDC, tendo reflexos no mercado de armazenamento ou, do inglês, storage. Os fatores? As empresas acharam lenta a aprovação da Reforma da Previdência e a grande oscilação do dólar o que as levou a uma revisão da projeção deste ano, com perspectiva de queda de 14% nas receitas de armazenamento externo. No entanto, para 2020 a expectativa é que o segmento de infraestrutura como um todo cresça 2%.

Mesmo com números pouco animadores, a esperança dos players de armazenamento, não foi abalada.

Com a aceleração de projetos de Transformação Digital – TD, a explosão contínua de dados e a popularização do armazenamento a partir de novas tecnologias como Software Defined, All Flash e Hiperconvergência (leia mais no destaque Mais do que convergente) a tendência é que as pequenas e médias empresas – PMEs, passem também a demandar projetos.

O mercado de storage, por sinal, mudou muito nos últimos cinco anos. Neste período, as empresas buscaram soluções de armazenamento não apenas visando a redução dos custos, como também o aumento de eficiência e melhoria da performance, de olho na simplificação do gerenciamento dos datacenters. Muitas empresas apontaram para os custos altos internos e buscaram essa redução, mas surgiram casos de consolidação de datacenters, por exemplo. “Muitos clientes que fizeram projetos em 2016, ou mesmo antes disso, querem e vão fazer um ‘refresh’ da sua infraestrutura. E existem as startups que buscam tecnologias inovadoras e investem na digitalização primariamente”, aponta Marcos Lhobregat, gerente de storage e HCI da HPE Brasil.



José Manoel Silva, do banco Carrefour

Nesse cenário, garante o executivo, todo e qualquer projeto dos clientes passa pela análise da HPE e dos canais de vendas. Se alguns clientes vão precisar da tecnologia tradicional como All Flesh, outros partem direto para a Hiperconvergência, algo que começa a decolar no Brasil. “A primeira fase de adoção da tecnologia foi lenta, mas agora está acelerando”, completa Lhobregat.

Das PMEs ao petróleo

Melhor, essas novas tecnologias estão chegando até as PMEs. Afinal, as plataformas ficaram mais acessíveis, deixando de se restringir aos grandes datacenters. E os canais evoluem nesse sentido, atingindo inclusive um melhor patamar de rentabilidade, a partir da ampliação da oferta do portfólio para empresas que não estão no topo da pirâmide. Associada, claro, a uma maior demanda nos setores de saúde, especialmente em hospitais, e também, no varejo, com a tecnologia de Software Defined, uma outra estrela em ascensão, ao propiciar a reutilização de equipamentos na montagem de novas e eficientes redes de armazenamento – veja detalhes em Banco, supermercado ou datacenter?, sobre o caso do Banco Carrefour.

“Os dados são o novo petróleo do mundo moderno, tendo sido matéria de capa da revista The Economist”, lembra Rodrigo Guércio, country manager da Lenovo Data Center no Brasil, para concluir: “no Brasil, as principais marcas e produtos de armazenamento de dados para o mercado corporativo estão presentes há vários anos, demonstrando a maturidade que os clientes exigem”. Neste sentido, os canais da Lenovo DC trabalham de forma abrangente, tanto aqueles que atendem desde a infraestrutura para redes de comunicação e armazenamento de dados, como os especializados. No primeiro caso estão grandes integradores, enquanto os canais de menor porte – e em maior quantidade, são os focados e especializados na prática.





Antes lenta, a adoção de Hiperconvergência começa a decolar no Brasil
Lhobregat, da HPE

Ao ser instigado sobre a grande prevalência de projetos na nuvem, ele admite que Cloud promoveu uma mudança para fabricantes e canais na relação com os clientes e mesmo no modelo de pagamento dos fornecedores de tecnologia com os provedores de serviço. A premissa mandatória é que é preciso ser flexível para fidelizar os clientes. “O futuro do setor passa pela automatização de processos e por conceitos como Big Data e IoT ou tecnologias como a Hiperconvergência, entre outras, bem como uma maior especialização”, completa.

Guércio revela que a Lenovo já trabalha na renovação de seu programa de canais para 2020, buscando maior aderência às novas demandas e tecnologias. “Além de um dos mais completos portfólios de servidores, storage, soluções de HCI, networking e serviços, visamos facilitar o processo de negócio, alinhados com a estratégia global de promover a autonomia de nossos parceiros”, enumera. Para isto, a empresa está revendo e construindo um novo programa de certificações e capacitação, mais aderente às oportunidades que o mercado apresenta.

Meu canal preferido

Sem prever mudanças radicais, Fabiano Ornelas, diretor de canais da Dell Technologies, admite que o perfil atual do canal de armazenamento segue a linha dos parceiros que já atuam no ambiente de infraestrutura. Porém, eles têm uma visão mais abrangente porque entendem que, cada dia mais, a relevância dos dados no ambiente dos clientes aumenta. “Quando falamos de armazenamento, temos um universo muito abrangente e canais que atuam em parte desta disciplina. A tendência é que, a cada dia, mais parceiros se interessem por novas parcelas deste universo tão grande e passem a dedicar recursos para complementar seus portfólios, seja por meio de backup, data protection, storage tradicional, convergência e hiperconvergência”, projeta.

Na prática, a Dell conta com um programa que oferece incentivos e benefícios para seus parceiros de canal, com o objetivo de ampliar o fornecimento de tecnologias que aceleram a transformação digital dos clientes. Nesse contexto, foi criado o Dell Technologies Partner Program, que tem como premissa ser um “programa simples, previsível e rentável”, de acordo a companhia.





O mercado brasileiro de armazenamento ainda está represado em capacidade e em inovações
Godoy, da Pure

O Partner Program classifica os parceiros com base no volume de receita gerada e pelo nível de certificação que eles atingem. A contabilização dos resultados é feita uma vez ao ano, sempre na virada do ano fiscal, e são contabilizadas as compras dos canais, seja por meio de compras diretas ou pelos distribuidores autorizados. No quesito certificações, por sua vez, são contabilizadas competências por linhas de produtos que são adquiridas com base em treinamentos online e presenciais.

O programa está dividido em quatro categorias. A de entrada é a Authorized, na qual o canal pode se cadastrar no site com a ajuda dos distribuidores autorizados. E, à medida que o canal vai se qualificando e efetuando vendas, eles podem ser alçados às demais categorias que são Gold, Platinum e Titanium.

Os canais da Dell, para o executivo, possuem um diferencial perante a concorrência, “eles podem oferecer a solução completa para os clientes, de diversas formas, independentemente do momento em que eles se encontram quando falamos em nível de maturidade da infraestrutura de TI e também ao momento relacionado à transformação digital”, argumenta Ornelas.

E, ele explica, existem tanto canais ofertando soluções que adquirem diretamente da Dell e contam com toda uma equipe de vendas e pré-vendas para suportar os clientes, como parceiros com menor infraestrutura e que têm o suporte dos distribuidores e grandes integradores que incluem as soluções da Dell como parte de suas ofertas. Entre as soluções de destaque: a plataforma de entrada Powervault ME, as plataformas de convergência e hiperconvergência, como o VXRail, e as soluções de Data Protection como DP3300 e 4400.

Tudo em um?

Empresa criada em 2017, a partir da união da Hitachi Data Systems, Hitachi Insight e Pentaho, a Hitachi Vantara anunciou recentemente um acordo de distribuição com a Ingram Micro no Brasil. “O interessante do portfólio da Hitachi é que todas as soluções estão interligadas e conseguiremos atender a todas as verticais”, apontou Roberto Gero, diretor de produtos da Ingram Micro Brasil.

A ideia de obter uma maior capilaridade é o principal objetivo por parte da Hitachi com o acordo. “Queremos expandir os negócios em todo o território brasileiro e levar a marca a um patamar mais alto na oferta de soluções para os mais diversos segmentos do mercado”, mira Erico Guessi, gerente sênior de alianças da Hitachi Vantara. 

Outro fator primordial para a fabricante é a estrutura da parceira, em especial as equipes de vendas e o suporte de marketing.





O futuro do setor passa pela automatização de processos e por conceitos como Big Data e IoT
Guércio, da Lenovo DC

Para Guessi, os distribuidores – a Adistec também opera com a marca no Brasil e América Latina, serão importantes aliados para atingir o crescimento de vendas projetado pela companhia para os próximos cinco anos. Sua expectativa repousa ainda em uma nova geração de infraestrutura e armazenamento, com uma nova arquitetura voltada para projetos escaláveis, a Hitachi Virtual Storage Platform- VSP Série 5000, sua mais recente e rápida matriz de armazenamento de classe empresarial. “A indústria e o setor financeiro estão experimentando a plataforma. Estou seguro de que o mercado brasileiro está pronto para usar estas soluções que oferecem o melhor da tecnologia”, projeta Claudio Tancredi, country manager da companhia no Brasil.

Abrindo as comportas

Mais comedido, Paulo de Godoy, coun- try manager da Pure Storage, acredita que o mercado brasileiro de armazenamento ainda está represado, tanto em capacidade, ou seja, quantidade de terabytes, quanto em inovações em termos de Transformação Digital, se comparado a outros países. “Isso se reflete na relação entre fornecedores e clientes, já que o grau de serviços e consultorias é menor e, portanto, a relação de negócios se restringe a questões financeiras e a redução de custo. Mas em pouco tempo esse cenário deve sofrer mudanças positivas, na medida em que a economia brasileira der novos sinais de recuperação”, vislumbra.

O executivo alerta que a demanda por projetos de automação industrial está em alta e com ritmo significativo de crescimento, algo que geralmente rende também projetos de integração com os ERPs. Além de bancos e telecom, ele aposta no aquecimento de projetos de storage nos mercados de varejo e seguros.

Quanto ao perfil do canal da Pure, ele notou uma mudança acelerada. Se o parceiro era mais voltado para rede e segurança, atualmente está mirando mesmo os datacenters. A tendência, revela Godoy, “é a busca por parcerias de qualidade, pois a quantidade depende da demanda local”.

A atuação da Pure é totalmente baseada em canais, em um ecossistema no qual o distribuidor e as revendas se integram na atuação local. “Nossa estratégia é encontrar parceiros que complementem nosso posicionamento geográfico e adicionem valor com a integração do portfólio e do serviço agregado. Do nosso lado, apoiamos todo o processo. Desde o recrutamento e capacitação à gestão de atividades, registro de oportunidades e suporte total de recursos, configuração e marketing, tudo isso para garantir a performance dos nossos parceiros”, conclui.

O modelo de vendas mais utilizado pelos canais para atender a demanda é o Capex. Porém, neste ano, a atuação passou por uma reformulação para promover uma experiência a partir da oferta as a service/on demand, ou como serviço/sob demanda. “Queremos romper as barreiras econômicas, que antes tornavam esse tipo de investimento proibitivo para muitas empresas, e levar inovação para o universo corporativo. Nossa oferta as a service traz uma assinatura unificada e totalmente flexível. Com ela é possível optar por soluções on-premise, na nuvem privada, na nuvem pública ou mesmo na nuvem híbrida”, completa.

Mais do que as estratégias heterogêneas, embora com o mesmo objetivo, o que une os fornecedores do setor é o otimismo quanto a evolução do mercado e a disseminação das soluções em novos segmentos e tamanhos de empresa, especialmente as PMEs. Vamos aguardar para saber se isso se confirmará.

Mais do que convergente

O nome, a princípio, remete a algo associado à velocidade, entretanto a definição de Hiperconvergência é bem mais ampla. Para a HPE, a tecnologia, assim como a ideia de convergência, vem para eliminar os tradicionais problemas de gerenciamento de TI, agrupando serviços de data center, como servidores, armazenamento e rede, em pacotes, permitindo que eles sejam gerenciados por um único aplicativo.

Porém, diferentemente da convergência, a Hiperconvergência é uma infraestrutura definida por software que desmembra as operações de infraestrutura do hard- ware do sistema e as converge em um único bloco no nível do hipervisor, de onde vem o nome. Esses sistemas, os hiperconvergentes, aproveitam a inteligência definida por software para eliminar os silos de armazenamento e computação e permitir que esses recursos sejam executados e gerenciados na mesma plataforma de servidor. Essa linha de atuação é que elimina ineficiências e acelera a computação.

Banco, supermercado ou datacenter?

Braço financeiro do grupo de varejo supermercadista, o Banco Carrefour firmou uma parceria com a Veritas, fornecedora de software Defined Storage e de proteção de dados, para assegurar o controle de suas informações e otimizar os processos. Utilizando a solução Veritas Netbackup e Infoscale, o Banco Carrefour revela que reduziu em 78% o espaço usado para guardar dados e diminuiu de 30 horas para cinco horas o tempo para concluir o armazenamento das informações em seu servidor de arquivos.

A operação do Banco, apesar de iniciada oficialmente em maio de 2007, possui um legado anterior e variado de produtos. Com mais de 8 milhões de clientes, a instituição financeira atende ao segmento de varejo dos supermercados Carrefour e Atacadão e buscou tecnologias como a de backup restore, da Veritas, focadas em melhoria de desempenho e redução de custos, bem como na disponibilidade das informações para o seu negócio.

Atualmente, os dados são armazenados em dois data centers, o que garante maior segurança às informações e alta disponibilidade ao negócio. Dessa forma, a empresa consegue proteger os servidores de arquivos e o banco de dados, que atende às aplicações de cartões de crédito e informações dos usuários. Além disso, com a tecnologia, a empresa eliminou a duplicação, que acontecia com muita frequência. Hoje, tudo o que está repetido é automaticamente descartado, reduzindo assim, o volume armazenado de 2.4 terabytes para 1.9 terabytes.

“Entender a real necessidade do armazenamento e principalmente tirar valor agregado para o negócio desse volume de dados foi o fator chave na decisão de escolha pela solução da Veritas, Hoje, além da velocidade de armazenamento, ganhamos a possibilidade de replicação de ambientes produtivos que ajudam o nosso lab e a incubação de startups”, revela Jose Manuel Silva, diretor de TI e operações do Carrefour. O projeto também aprimorou a entrega de infraestrutura como serviço e melhorou os processos organizacionais, contribuindo para os resultados do negócio.

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