Edição 33, Entrevistas

Com o pé no futuro

Publicada na edição impressa de março de 2020, a entrevista com o presidente da HP Brasil, Cláudio Raupp, concedida à Infor Channel na sede da companhia, em Alphaville, Barueri, São Paulo, aborda tendências e evoluções do mercado de impressoras e de computadores pessoais

Por Irene Barella

A octogenária e ainda vigorosa fabricante de produtos tecnológicos, fundada como Hewlett-Packard Corporate mantém trajetória invejável, que serve de modelo para executivos que precisam conduzir e manter companhias competitivas e inovadoras por longos anos. Com a reformulação organizacional em 2015, surge a HP Incorporation que se reinventou, perseverou e inovou no mercado de computação pessoal, com PCs e notebooks e de impressão.

No Brasil a fabricante chegou em 1967 e há cinco anos tem como presidente, Claudio Raupp, que ao longo da carreira trabalhou apenas na IBM e na Nokia antes de atuar na subsidiária local da HP. Sua missão, entre outras, é manter a competitividade, ampliando cada vez mais o mercado de produtos já consolidados, além de levar e demonstrar ao mercado local as inovações em produtos e a evolução da companhia para, claro, colocar a HP Brasil à frente dos concorrentes. A meta é atingir recordes de vendas e conquistar sempre as melhores posições no ranking.

Claudio diz que terá anúncios para breve. Sem poder adiantar nada quanto às novidades, não deu uma dica sequer. Porém aborda tendências e evoluções do mercado de impressoras e de computadores pessoais na entrevista abaixo, concedida à Infor Channel na sede da companhia, em Alphaville, Barueri, São Paulo.

Quais são as diretrizes e planos da companhia?

Basicamente são três os pilares: aumentar e avançar no core, buscar tecnologias disruptivas e promover a Transformação Digital. Nos últimos três anos, trabalhamos internamente e de forma intensa a nossa Transformação Digital e, hoje, estamos totalmente preparados para atender aos nossos próprios objetivos. Aumentamos a motivação de todo o time, melhoramos a padronização, otimizamos processos e atingimos o nível de controle de qualidade e custo exatos. Entre as diretrizes está a continuidade da oferta de produtos e serviços de impressão e de computação pessoal que revolucionaram o mercado. Já consolidados, eles viabilizaram os negócios de nossos clientes e a inclusão digital de milhões de consumidores. A HP Brasil segue contribuindo para a conquista de novos mercados e está ajudando a conduzir a companhia, por exemplo, na difusão da tecnologia de impressão em terceira dimensão, a 3D, voltada especialmente para a produção industrial.

Quais são as tendências em termos de impressão em suas diversas frentes?

Tem muita inovação. Sem dúvida, futuro próximo da indústria global está na disseminação e aumento da produção a partir da impressão 3D. Com enorme potencial de crescimento, a manufatura se mostra um mercado promissor para a companhia e nossos canais. O desenvolvimento da impressão 3D para a produção digital tem o poder de revolucionar toda a cadeia ao descentralizar a manufatura das grandes cidades, possibilitando evoluções na distribuição, logística e armazenamento. Avançamos com base em termoplástico e agora damos início à viabilidade em metal, que é uma das grandes inovações para o segmento, já que a impressão tridimensional de objetos do dia a dia e componentes da máquina com alta qualidade já são realidade, especialmente em Saúde e na indústria Aeroespacial. A 3D oferece velocidade, baixo custo, e qualidade em escala industrial de peças de alto valor e únicas. Agora, com uma nova tecnologia para impressão em metal, a HP continua a reinventar o desenho, produção e a distribuição, impulsionando a Transformação Digital da indústria. No segmento de impressão gráfica vemos uma mudança significativa na área de mídia e de embalagens, com a indústria avançando para o mundo digital, que permite a entrega de impressões customizadas e variáveis.

Outro ponto importante é a hipermobilidade. Para que seja possível contar com um escritório em qualquer lugar, os profissionais precisam de dispositivos mais leves, maior duração de bateria, melhor performance e, principalmente, segurança. Com o pé no futuro, a HP trabalha na gestão de micro fluído, tendência para os segmentos biológico, farmacêutico, ambiental, óleo e gás.

Há pesquisa em tecnologia 3D?

Sim. Há grandes investimentos, inclusive em talentos. No ano passado inauguramos em Barcelona um centro de excelência de impressão 3D e manufatura digital, que está entre os maiores e mais avançados do planeta. A iniciativa realmente incorpora a nossa missão de transformar as maiores indústrias do mundo por meio da inovação tecnológica sustentável, com instalações propícias para pesquisa e desenvolvimento da próxima geração de tecnologias que impulsionarão a Quarta Revolução Industrial. Nosso Centro reúne centenas dos maiores especialistas em engenharia de sistemas, inteligência de dados, software, ciência de materiais, design e aplicações em manufatura aditiva em um espaço inovador de quase 14 mil metros quadrados, para transformar a maneira como o mundo desenha e fabrica projetos.

Há ações em termos de sustentabilidade na produção de equipamentos?

Nosso compromisso para a criação de uma mudança positiva e duradoura para as pessoas e o planeta vai além de leis. Temos ações para a coleta e reciclagem de garrafas plásticas que acabariam nos oceanos, de onde também recolhemos plásticos para a produção, por exemplo, do Elite Dragonfly, ou da HP NeverStop Laser, que tem 25% de material reciclado e kit de recarga de toner com 75% de itens reutilizados. Somente em 2018, foram recicladas mais de 797 toneladas de produtos HP em fim de vida útil no Brasil. A matéria prima é utilizada principalmente em impressoras, como as tanque de tinta, que tem 20% de conteúdo reciclado.

Dentro da estratégia de sustentabilidade, no ano passado alcançamos a meta de desmatamento zero com relação a papéis da marca HP. Assumimos o compromisso de ter 30% de conteúdo reciclado em todo o portfólio de produtos até 2025, e isso inclui avançar muito no desenvolvimento tecnológico para a sustentabilidade também na categoria de PCs. No Brasil desenvolvemos um modelo econômico inclusivo para a reciclagem de eletrônicos, que contribui não só com melhores condições de trabalho para cooperados, como gera impacto positivo nas comunidades e aumenta o volume de resíduo reciclado. A companhia cria oportunidades por meio do poder da tecnologia, de programas e parcerias, e trabalha para ampliar as possibilidades econômicas e educacionais.

E qual a aposta frente a um mundo cada vez mais digital?

Adquirimos parte dos negócios de impressora da Samsung e aqui no Brasil recebemos uma pérola junto, a Simpress, que continua sua trajetória de forma independente com a oferta de serviços de impressão. A aquisição expandiu o portfólio da HP com impressoras multifuncionais de fácil uso, e acesso a mais de 6,5 mil patentes de impressão da Samsung e a pesquisadores e especialistas em tecnologia a laser, eletrônica de imagem, suprimentos e acessórios. Esta iniciativa reforça a liderança em impressão para acelerar nossa estratégia, abrir novas oportunidades de mercado e fornecer a nossos clientes e parceiros soluções de impressão exclusivas e inovadoras. Sem contar com a impressão em 3D como uma área potencial de crescimento.

Qual é a estratégia de venda? 

Personalização. Defendo a adoção do conceito segment of one e, cada vez mais, usar dados preditivos para realizar os desejos dos clientes. Tudo da forma correta e na medida certa do que eles necessitam. É preciso criar o segmento de ‘um cliente’, ou seja, é essencial oferecer uma experiência a um determinado perfil, gerando real valor e lealdade por meio de interação exclusiva e entrega no tamanho adequado às necessidades. Nós e nossos canais orientamos os clientes a escolher o produto que mais se adeque a sua carga de trabalho. Para um empreendedor o modelo laser tanque de toner, com recarga feita em 15 segundos e que imprime até cinco mil páginas, pode cair como uma luva.  Um advogado tem demanda diferente de um comércio e este, de uma empresa de engenharia, por exemplo. A venda de um produto não adequado gera insatisfação, com reflexos negativos para a marca e para o parceiro.

Como analisa a venda como serviço?

Uma tendência que segue relevante é o Device as a Service. O Brasil já é bastante avançado em impressão as a service e em 2019, já tivemos grandes avanços em DaaS, que traz muitos benefícios aos usuários e empresas, permitindo que os gestores de TI foquem esforços na Transformação Digital, ajudando CEOs e CIOs na implementação de tecnologias que tragam mudanças relevantes aos negócios. Hoje, das grandes às pequenas empresas, praticamente já não há compra de impressoras, mas aluguel. O que fazem é comprar o serviço de impressão, por página impressa, e esse modelo está indo para o mundo da computação pessoal, notebooks, por exemplo. Cada vez mais as empresas começam a olhar a aquisição do computador como serviço e não a compra do ativo.Há quatro anos começamos a preparar o canal para este modelo e hoje temos dez grandes parceiros em plena atividade e cerca de 40 estão em transição do modelo tradicional para as a service.

O que destaca em termos do canal?

Um dos grandes destaques é a nossa exclusiva ferramenta de gestão HP TechPulse, que o canal pode usar para realizar um trabalho preventivo e resolver possíveis problemas no cliente. Com tecnologia analítica, nosso parceiro oferece serviço de valor agregado ao fazer análises preditivas, com visão completa da saúde de todos os dispositivos, tudo controlado via painel, online. Isso é possível porque a HP incorporou Aprendizado de Máquina, lógica preconfigurada e dados contextuais.

Nosso programa HP Partner First é pioneiro em impulsionar o crescimento e a lucratividade dos parceiros, que contam com velocidade, agilidade e operações consistentes. Trabalhamos com diversos perfis de distribuidores e revendas; desde aqueles que atendem a produtos de papelaria, toner; os de impressão, os de computação pessoal, até os mistos, por isso simplificamos ao máximo a maneira com que cada um interage com a gente. Especificamente em automação industrial, contamos com a SKA, que atende a todo o território nacional. Entre algumas das facilidades temos o portal dos parceiros, o HP Partner First Portal e, para a formação e qualificação, a HP University. O canal, que representa 87% dos negócios globais, tem recebido investimento de mais de US$ 1 bilhão em capacitação.

Existe preocupação com a segurança? 

Todo dispositivo conectado à Internet representa uma brecha para invasão e muitas vezes o usuário não se dá conta dessa vulnerabilidade. Além da conscientização, a HP investe em tecnologia avançada para enfrentar os cibercrimes e oferecer o portfólio de computadores e impressoras mais completo e seguro do mercado, garantindo a integridade dos sistemas e das informações armazenadas. A segurança da informação tem que estar no topo da agenda dos executivos, que precisam investir em equipamentos seguros para evitar qualquer prejuízo.

O que pode falar sobre a proposta de compra pela Xerox?

O posicionamento é o global. O Conselho de Administração da HP rejeitou por unanimidade as propostas da Xerox de janeiro de 2020 e reitera que o foco é gerar valor sustentável a longo prazo para os acionistas da HP. A posição é a de que a companhia continua comprometida com os melhores interesses dos acionistas e em buscar oportunidades que gerem valor, sendo que isso não depende de uma associação com a Xerox. Reitera que por meio do nosso portfólio de produtos e serviços de sistemas pessoais, impressoras e soluções de impressão 3D, projetamos experiências que continuam a surpreender. Está prevista, ainda sem data anunciada, a reunião anual de acionistas em 2020

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