A hora e a vez da Multicloud
Edição 36, Tecnologia

A hora e a vez da Multicloud

A complexidade do gerenciamento oferece boas oportunidades aos integradores e parceiros de canal, tanto na implementação quanto na orquestração das diversas nuvens.

Por Ana Luiza Mahlmeister

A Computação em Nuvem é essencial na Transformação Digital, dando agilidade no acesso aos dados e aplicações de qualquer lugar, além da distribuição de recursos em diferentes ambientes, reduzindo custos com infraestrutura. Segundo estudo da Oracle, 80% do fluxo de trabalho e cargas críticas das empresas vão operar na Nuvem até 2025. O uso de múltiplas Nuvens em data centers internos e externos dá ainda mais flexibilidade para mover aplicativos em ambiente público, local ou privado.

Esse ecossistema híbrido, no entanto, traz dificuldades adicionais como o suporte para uma ampla variedade de sistemas, exigindo equipes especializadas. “Por já conhecerem a infraestrutura dos clientes, os integradores são essenciais na jornada para a Nuvem com entregas mais rápidas, além de suportar o gerenciamento dos diversos ambientes”, afirma Guilherme Novaes, diretor de Hybrid Cloud Integration da IBM.

O IBM Institute for Business Value aponta que 85% das empresas possuem ambientes Multicloud, compostos por múltiplas Nuvens Públicas (IaaS, PaaS ou SaaS). Já a Nuvem Híbrida integra os tipos privados, públicos e ambientes on-premises, ou data centers tradicionais. “As definições podem ser complementares, dado que um ambiente híbrido pode ser Multicloud”, complementa Novaes.

Entre as vantagens do modelo está a possibilidade de gerir os negócios com mais liberdade na escolha de padrões, ferramentas e soluções mais adequadas ao perfil de cada empresa. A facilidade na alteração de rotinas, conforme as exigências do mercado, também é importante. E se um provedor tem um problema, o serviço pode ser migrado de forma mais rápida. A Multicloud também permite acesso rápido a novas tecnologias como Inteligência Artificial, Blockchain, Internet das Coisas e APIs, serviços que podem ser consumidos em diferentes provedores. “A distribuição dos recursos previne contra falhas, uma vez que reduz eventuais downtimes e a potencial perda de dados”, destaca Marcos Gaspar, diretor de Data Center & Hybrid Cloud da HPE.

Gaspar, da HPE: A distribuição dos recursos reduz eventuais downtimes e a potencial perda de dados.

Uma empresa de e-commerce, por exemplo, pode escolher como irá tratar um período de grande movimento, como a Black Friday ou festas de fim de ano – mas isso não é novidade. Seria como se pudesse escolher o tamanho da sua loja e em qual shopping deveria estar, mas no ambiente virtual, com apenas alguns cliques. “Além do comércio eletrônico, a adoção da Multicloud disparou no segmento Financeiro, Indústria e Serviços em diferentes portes de empresas”, conta Gaspar.

Esse ambiente, porém, não é para todos, alerta José Patriota, gerente de canais Latam da Nutanix. É necessário um estudo prévio para avaliar os modos de uso e custos. Segundo a Enterprise Cloud Index, pesquisa realizada pela Vanson Bourne a pedido da Nutanix, 73% das empresas estão retornando aplicações da Nuvem para o on-premises ou Nuvem Privada, e o cenário não é muito diferente no Brasil. Isso pode indicar uma ida prematura para o modelo de múltiplas Nuvens e um movimento de volta. “Ao mesmo tempo em que a estratégia de Multicloud entrega flexibilidade máxima, o ambiente é complexo no que diz respeito à portabilidade das aplicações, integração das infraestruturas, gestão e Governança”, afirma Patriota.

Patriota, da Nutanix: Mesmo com flexibilidade máxima, o ambiente é complexo no que diz respeito à portabilidade.

O gerenciamento precisa ser unificado para oferecer visibilidade e exige também ferramentas de controle de recursos como armazenamento de dados, controle das aplicações e da Segurança. A plataforma da Nutanix, oferecida por meio dos parceiros de canal, oferece uma camada de virtualização que facilita a movimentação de máquinas virtuais da Nuvem Privada para os ambientes AWS, Google e Azure, como se estivessem movendo de um servidor para o outro, dentro do seu data center, facilitando o trabalho do integrador, completa Patriota.

Parceria nos desafios
Ativar um serviço em Nuvem não é simplesmente passar o cartão de crédito e incluir um item no carrinho de compras. Para uma empresa de médio a grande porte, comprar um serviço em uma Nuvem Pública normalmente exige selecionar e operar dezenas de servidores virtuais com diferentes sistemas operacionais, aplicações e sistemas de Segurança, aponta Rodrigo Oliveira, diretor de Negócios Data Center, Cloud & Segurança da CenturyLink. A empresa, que oferece desde soluções de transmissão de dados e conexão dedicada a grandes Nuvens Públicas, mantém data centers próprios para hospedagem de equipamentos e Nuvem. Os integradores atuam em uma camada acima, na implementação das aplicações do cliente, principalmente de soluções de software.

Cada fornecedor de Nuvem tem características próprias, necessitando de acesso a portais, comandos e estruturas diferentes, além do acesso a centenas de versões, variações e novos modelos de serviços a cada mês. “Manter mão de obra especializada, certificada e capaz de entender e gerenciar esta estrutura é um dos grandes desafios, abrindo oportunidades para os parceiros de serviços”, destaca Oliveira.

Oliveira, da CenturyLink: O custo do cliente com mão de obra especializada e certificada, abre oportunidades para os fornecedores de serviços.

A responsabilidade pela Segurança de aplicações e dados é do contratante e não do fornecedor de infraestrutura em Nuvem. “Ela só é insegura quando não há preocupação de seus contratantes com relação à questão, como ocorre também em qualquer ambiente tradicional”, afirma Fabio Soto, da consultoria Agility. Além de passarmos por um ‘apagão’ global de mão de obra qualificada, as empresas ainda investem pouco em Segurança da Informação e Segurança Cibernética.

Soto, da Agility: É importante que a migração se dê com o apoio de parceiros especializados em proteção de aplicações Multicloud.

“É importante que a migração para a Nuvem se dê com o apoio de parceiros especializados em proteção de aplicações Multicloud e gestão avançada de ameaças, para proteger o ambiente desde a criação dos sistemas até sua publicação na Nuvem, além de monitorar falhas e ameaças externas para tomada de decisão e ações rápidas”, completa Soto.

No desenvolvimento de uma solução é difícil prever necessidades futuras, comprometendo os requisitos de Segurança. “Uma vulnerabilidade pode derrubar o servidor e todas as aplicações de negócio, sendo necessário verificações regulares, além de análises periódicas de custos”, reforça Nirmal Kumar, diretor regional de Vendas da ManageEngine.

Kumar, da ManageEngine: O integrador deve estar capacitado nas várias arquiteturas de Nuvem para gerenciá-las com segurança.

Outros desafios vividos pelas empresas que optaram pela Multicloud são a integração entre provedores de Nuvem, portabilidade e interoperabilidade, latência para transferência de dados entre diferentes ambientes e aderência a elementos regulatórios, tais como a Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD.
A movimentação das informações em uma infraestrutura de Nuvem Híbrida ou Multicloud exige ferramentas específicas e suporte no gerenciamento de workloads e de aplicações

Capacitação dos parceiros

Integrar sistemas e aplicações no ambiente de múltiplas Nuvens exige do parceiro conhecimentos de desenvolvimento Ágil integrado à segurança e operações (DevSecOps). Para preparar o ambiente do cliente e facilitar a movimentação para a Nuvem é necessário aplicações baseadas em microsserviços.

“O integrador deve conhecer tecnologias como Contêineres e Kubernetes, para que as aplicações rodem em qualquer ambiente Cloud, além de criação e gestão de APIs e conhecimentos relacionados à latência, conectividade, disponibilidade de serviços de data center e provedores de Nuvem”, aponta Guilherme Novaes, diretor de Hybrid Cloud Integration da IBM. A estratégia da companhia é habilitar parceiros de negócios para a entrega Multicloud, que ganhou impulso com a aquisição da Red Hat. “A venda passa por diversas etapas que vão da consultoria à implementação e gerenciamento da Nuvem”, diz o executivo.

Novaes, da IBM: Os integradores são essenciais no gerenciamento dos diversos ambientes.

A HPE oferece o serviço Edge to Cloud Plataform com produtos e serviços entregues pelos parceiros, para atender às necessidades de ambientes híbridos, com pagamento como serviço.

Para Nirmal Kumar, diretor regional de Vendas da ManageEngine, o integrador deve estar capacitado nas várias arquiteturas de Nuvem para gerenciá-las com segurança. “É muito importante saber identificar o momento vivido pelo cliente na jornada de adoção da Nuvem e conhecer os serviços e metodologias usadas para medir sua maturidade e ser capaz de desenhar e implementar um road map para a Nuvem”, completa Marcos Gaspar, da HPE.

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